domingo, 8 de novembro de 2015

TDAH sem medicação - Práticas que dão certo - Relato da mãe Luciana Iwamoto





Meu empenho persistente, de alguns anos para cá, é no sentido de alertar e esclarecer os pais para que conheçam e se informem cada vez mais sobre o que representa uma filosofia medicalizante no que tange ao desenvolvimento, especialmente escolar, intelectivo, de seus filhotes. 

Organizações no mundo inteiro, incluindo o Brasil, tem se movimentado no sentido de frear o consumo de psicotrópicos em crianças e jovens. 

Como segundo maior consumidor do mundo de metilfanidato (Ritalina, Concerta e outros), o tema vem ganhando [finalmente] também a preocupação do Ministerio da Saúde no Brasil. Porém, enquanto as autoridades debatem, as crianças continuam sendo medicalizadas e as vítimas devido aos riscos dos efeitos colaterais, se é que há pesquisas, ainda não estão sendo divulgadas. Os casos existem, alguns chegam ao conhecimento, mas as mães preferem não divulgar nomes. 

FELIZMENTE, algumas mães decidem romper com este círculo vicioso vendido pelas farmacêuticas e tantos médicos, que, perversamente, pretende "resolver o problema" com uma receita de remédio controlado. 

No Livro TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM publico, entre outros, o que a Comissão de Bioética Médica da Suíça (pais onde "nasceu" a Ritalina) emitiu em seu Parecer nº 18/2011. Transcrevo uma parte aqui: 



"O aprimoramento [obtido através do consumo de substâncias farmacológicas] reduz consideravelmente a liberdade dos filhos e prejudica o desenvolvimento de sua personalidade.

Além disso, o consumo de substâncias farmacológicas pode trazer implicações adicionais no caráter, porque a criança é ensinada que ela pode "funcionar" de uma forma socialmente adequada somente com a ajuda destas drogas. Na medida em que traços do caráter da criança são alterados medicamentosamente, deixando-o dependente de drogas psicotrópicas, isto acarreta consequências para a formação da personalidade da criança e sua autoestima, e pode promover o desenvolvimento de padrões de comportamento de dependência [19]. 

A pressão aplicada sobre as crianças para se conformar, seja por seus pais, seja por instituições de ensino, impõe um padrão de normalidade que diminui a tolerância em relação ao modo de ser infantil. Isto pode reduzir a variedade de temperamentos e estilos de vida e, em última análise, prejudicar o direito da criança a um caminho aberto da vida." (págs. 148 e 149)


IIº Relato da mãe Luciana Iwamoto - Japão


Por Marise Jalowitzki e Luciana Iwamoto
09.novembro.2015
http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2015/11/tdah-sem-medicacao-praticas-que-dao.html


Há cerca de um ano, a amiga Luciana permitiu a publicação deste artigo no blog, além da  divulgação no grupo TDAH Crianças que Desafiam, no Facebook.

Ali consta a descrição de muitas atividades e intervenções que ela, generosamente, compartilha, no afã de ser útil para outras mamães e professoras. Sempre que publico algo de uma escola que consegue implementar uma mudança positiva efetiva, há um ou outro comentário no sentido de "é porque é particular". Neste caso, a Luciana e sua família são brasileiros radicados no Japão e, quando as mamães de outro país escrevem, também aparecem exclamações como: "Ah, isso é no Japão! Aqui é diferente!" (ou Portugal, ou Espanha, ou Reino Unido, Chile, etc.). 


Sim, é verdade, mas percebo como super importante continuar divulgando estas práticas - simples e excelentes - que podem ser adotadas por outros educadores também por aqui, ou em qualquer parte do mundo onde este artigo seja lido. Como faço questão de lembrar frequentemente, o Artigo 15 da Lei de Diretrizes e Bases, dá autonomia para a direção de uma escola para implantar a metodologia que julgar mais efetiva em seu estabelecimento. Assim, mudanças, maiores ou menores, são possíveis de acontecer.





Para ler, clique no titulo:













Neste intuito, transcrevo o relato que, um ano após, a devotada mãe encaminha, e novamente autoriza a divulgação identificada. "Assim como quero o melhor para o meu filho,quero que outras crianças tenham a mesma oportunidade..."




 Segue o texto enviado no final de outubro deste ano (2015)



"Olá Marise, quero te contar as novidades. Sei que vai gostar, pois todos os progressos que tivemos,foram sem nenhum medicamento. Somente com muito amor, carinho, paciência e com a maravilhosa ajuda de um batalhão de anjos, é assim que eu chamo os professores da escola onde meu filho está. 

Não é fácil,mas a cada conquista,cada avanço é comemorado. Muito comemorado!

Antes dele começar na nova escola, pedi a Deus que mandasse um anjo para ser sua professora. Como Deus faz muito melhor do que aquilo que pedimos, mandou logo um batalhão!!! Todos,desde a cozinheira até o diretor, têm se empenhado para garantir ao meu filho as condições necessárias para que ele possa aprender, com alegria e segurança

Uma coisa que a professora dele me disse, fez com que eu me enchesse de confiança nestes profissionais. Ela me disse:
"Queremos saber do que ele gosta, do que podemos fazer por ele, quais os métodos que podemos utilizar, queremos aprender como deixá-lo confiante." E muitas outras coisas, que me deixaram bem mais tranquila." 



 A Importância do Distanciamento Não Punitivo 


Esta é uma parte BEM importante: 

"Faz 7 meses que o Gugu começou o primeiro ano do primário. Logo no começo, foi muito difícil mostrar pra ele que horários e outras tantas coisas iriam mudar. Mas nós também tivemos que nos adequar a essa nova fase. 
Aos poucos fomos descobrindo do que ele gosta e do que não. 
Por exemplo: 

Como ele se distrai facilmente, ele prefere ficar numa outra sala, só ele, ou, por vezes, com um coleguinha, que também é hiperativo e uma professora auxiliar (que aliás tem muita experiência com crianças que precisam de mais atenção; muito carinhosa, paciente e que escreve tudo num caderno para que eu saiba o que ele fez e o que não). Mas ele fica nessa sala somente nas aulas de matemática e japonês, nas outras fica com o restante da turma, mas só se ele preferir."



 Atenção e Respeito aos gostos individuais e auto avaliação 
(não comparação com os outros )


Meu pequeno não gosta das aulas de educação física, achamos que ele tem medo de não conseguir acompanhar os outros coleguinhas. Por isso, temos mostrado a ele o que ele antes não conseguia fazer e que agora já faz. Incentivo,isso é o que até mesmo a pediatra nos disse para fazer, mesmo antes de eu falar, ela já disse: "Eu não gosto de prescrever medicamentos!"

Em dezembro ele vai passar por mais exames, mas somente para sabermos a real evolução e quais os passos para o próximo ano. Mas já são visíveis as mudanças. Embora esteja um pouco atrasado nas matérias, lê bem, escreve dois tipos de ideogramas japoneses, o hiragana e o katakana e já começou a aprender kanjis. Faz contas de adição e subtração, com um pouco de dificuldade, mas faz. Tenho usado todos os recursos possíveis para ensiná-lo.




 Temas: Brincar não é distração, é método para relaxar

Sento junto com ele e ajudo na lição de casa, mas se ele não consegue focar, brincamos um pouco e só depois de descontrair um pouco, voltamos à lição. O vocabulário dele também melhorou bastante, tanto em português, quanto em japonês.

Todos aqui em casa têm ajudado nos cuidados. Pelo menos uma vez na semana, um de nós vai à escola ver como andam as coisas. Como ele gosta de ir à biblioteca, toda semana levo ele lá, pelo menos 5 livros traz pra casa.

Essa foto é do caderno onde a professora escreve, isso o tem incentivado bastante para fazer tudo certo. Ele pede pra professora escrever.




 Na escola, nada de bullying - Crianças são ensinadas a aceitar as diferenças 


Gugu não gosta muito de brincar com crianças da mesma idade; ou bem mais velhas, ou bem mais novas.

Como gosta de dinossauros, vai ser um na peça de teatro do fim do ano. Quando estavam escolhendo os personagens, a professora perguntou quem queria ser o dinossauro. Como ele não estava na sala nessa hora, todos os amiguinhos disseram para a professora dar o papel para ele, pois assim ele ficaria mais feliz ao fazer a peça. 

Todos entendem que ele é diferente, não se espantam quando ele prefere ficar dentro do armário, ou debaixo da mesa, quando há uma situação diferente do normal. Tem dias que ele está mais focado e outros que parece estar com a cabeça em outro lugar. Nesses dias as professoras deixam ele mais solto, levam para passear fora da sala, na biblioteca ou no jardim. Não o forçam a nada, pois ele acaba ficando irritado e agressivo sob pressão. Aos poucos vai se autorregulando. Cada dia é dia de descobertas. De aprendizado, dele e nosso. Mas uma alegria imensa a cada conquista.

Desculpe-me pelo longo texto. E obrigada pelos textos que você posta, que tem nos ajudado bastante. Até outro dia. Beijinhos."







Luciana, desejo, de coração, que tudo continue neste nível de satisfação, querida amiga! E que em todas as escolas possa acontecer esta humanização da Educação! E todas as mamães e professoras e orientadoras educacionais que lêm este post. Crianças merecem e precisam de Respeito e Acolhimento Amoroso para que possam evoluir. Crescer sem traumas. É para isso que nascem. Para ter um futuro promissor, onde as experiências vividas possam ser disseminadas em suas vidas, no futuro, ampliando as condições de Paz em todo o planeta!

Beijos!



Outros artigos que podem interessar (clique no título):

Para os que tem dúvidas em relação à medicalização de psicotrópicos em crianças


  





Protocolo de Autópsia - Morte do Menino Matthew devido ao uso prolongado de Ritalina

""Insuficiência Coronária Aguda devido a Doença Isquêmica do Coração devido ao uso a longo prazo de metilfenidato (Ritalina)"- Ritalin, em inglês. Dr. Ljuba Dragovic, o Chefe Patologista de Oakland County, Michigan



 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 



LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM
Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e  dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade
Contra o uso indiscriminado de metilfenidato - Ritalina, Ritalina LA, Concerta





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