quarta-feira, 11 de maio de 2016

TDAH - Sobre a preocupação das mães com as habilidades dos filhos



Em uma série de fotos a artista Anna Radchenko retrata as incoerências de algumas mães que, mesmo motivadas por Amor, acabam não acreditando no potencial de seus filhos, cerceando iniciativas, muitas vezes medicando inadvertidamente, toldando a criatividade.




Por Marise Jalowitzki
11.maio.3016

Bastante comum (embora igualmente bastante triste) encontrar mães que, ainda que motivadas pelo senso de preservação, acreditando proporcionar o melhor para seu filho, aceitam rótulos (por vezes 3, 4, 5 rótulos!) para seus pimpolhos! Ora, questão de lógica: se uma criança pequena "tem" 4, 5 transtornos mentais, ela estaria em uma escola tradicional, falaria, escreveria, conviveria em sociedade, saberia alimentar-se e tantas outras impossibilidades encontradas, infelizmente, em casos realmente severos? Uma criança que participa de atividades junto aos coleguinhas e recebe apenas a reclamação da educadora de que "é bagunceiro" pode ser denominada retardada mental?

Recentemente uma mãe, depois de um extenso relato, coloca ainda que a criança não amarra os cadarços... Sério, este comportamento tem dado tanto que falar! Professoras criam aulas específicas, como na foto abaixo, só para "ensinar" as crianças a amarrar os cadarços dos tênis! 




E, notaram? As crianças "aprendem" de um jeito que não adiantará, pois estão visualmente posicionadas no lado inverso de quando estão com os tênis calçados!... problema de quem? da criança ou do adulto?

Esta história de cadarços deu, efetivamente, tanto pano-pra-manga que até um tênis chipado foi fabricado, pra não dar mais trabalho... sociedade maluca, com suas críticas e seus estereótipos! (Já comentei sobre isto em outro artigo, mas, trago o tema de novo, pois, com TANTO problema real no mundo, a preocupação - que agora já vira item para DIAGNÓSTICO - é, no mínimo, bizarra! Veja figura a seguir:

Com um comando, as tiras automaticamente se ajustam ao formato do pé.


Albert Einstein, como tantos outros notáveis, era extremamente displicente com os 'acessórios' que vestia. A cabeça sempre cheia de ideias e planos, deixava seu notamment conseiller (uma espécie de mordomo, acompanhante-cuidador) para se ater aos detalhes de seu vestuário e apresentação. 

Com paciencia e carinho, mostrando várias vezes, mesmo quando há uma dificuldade, a criança aprende. Ou inventa do seu jeito um novo estilo, que deverá ser respeitado, caso não cause dano. Conheço um rapaz que desenvolveu seu jeito próprio de amarrar cadarços. Qual o problema nisso?
E, principalmente, elogiar as coisas que ele faz bem.
Tive um gerente em uma empresa importante e tradicional no Brasil, que veio mais de uma vez em reuniões importantes com os sapatos de modelos diferentes. E ele, após rir junto com os demais, dizia:
"A cabeça cheia de ideias sobre este projeto que estamos discutindo, acordei pela manhã pensando nisso e colocar o primeiro sapato que estava debaixo da cama, sem olhar, foi automático! Espero que os resultados sejam promissores!"
E pronto! Tudo assumido e revertido! O cara superinteligente em tantas questões, iria sucumbir a quesitos do cotidiano, sem nenhuma consequencia a não ser a crítica de alguns?
Olhar as coisas de frente sem tristezas ou submissões pode mudar o mundo e a forma como o enxergamos!
Desculpem, mas eu não posso ver as crianças de hoje como "transtornadas" ou "retardadas". Elas precisam de Amor e Acolhimento, terapias não invasivas. 
Até nos casos gravíssimos, incontestes, Freud dizia: "Se conseguimos acessar empaticamente o lado coerente deste ser humano, estaremos no caminho da melhora!

Deixo meu Abraço e desejos de muita Compreensão!
Bjs
Marise Jalowitzki
Para quem quiser ler o artigo com o relato da mãe:





"Se é PRIMEIRO, SEGUNDO!!! não importa! o que importa é que ela conseguiu! O que o TDAH interfere. A MEMORIZAÇÃO, a CONCENTRAÇÃO, a AUTOESTIMA, de que ela não seria capaz nem de falar a primeira frase da POESIA." (mamãe Débora)

http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2015/12/tdah-e-as-habilidades-ela-nao-amarra-o.html




Querendo, leia também:

TDAH - Relato de Pai - Nossos filhos devem ser livres, bagunceiros, criativos e merecem todo o nosso amor, atenção e respeito

Por Andre Bax
29.abril.2016
http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2016/04/tdah-relato-de-pai-nossos-filhos-devem.html
Não tenham medo de enfrentar as escolas onde a falta de preparo para lidar com as diferenças impera, onde os profissionais acreditam que seres humanos devem seguir um padrão.




  Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:


Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade



Outras fotos da série produzida por Anna Radchenko:

Nome possível:"Tudo o que eu quero é que você seja o que eu queria ter sido! Pague o preço por mim, mesmo que não queira!" 

Nome possível: "O mundo é feito de padrões e você tem de segui-los à risca, sempre! Cumpra apenas o que he for mandado!"

Nome possível: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço! Você tem de ser a santinha!"

Nome possível: "O mundo é mau e eu te superprotejo de tudo! Não ouse! Não tente! Não se misture!"

Nome possível: "Eu mando, você apenas obedece! Não tem querer! É assim e pronto!"







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