domingo, 26 de fevereiro de 2017

Transtorno Bipolar ou apenas infância


Por Jacob Azerrad, Ph.D. - psicólogo clínico, em Lexington, Massachusetts.
Excerto em tradução livre por Marise Jalowitzki
26.fevereiro.2017

Crianças pré-escolares, algumas com apenas 2 anos de idade, estão sendo drogadas com poderosas drogas antipsicóticas não testadas. Os efeitos colaterais incluem tiques, salivação excessiva e incessante vontade de comer. Algumas crianças ganharam até 100 libras de peso e muitas vezes o quadro evolui e elas se tornam diabéticas. O que costumava ser chamado de "época dos dois primeiros anos terríveis" - que é quando a criança começa a contestar os limites que recebe dos pais, agora está sendo visto como os primeiros sinais de distúrbio mental!
Autoproclamados "especialistas" em criação de filhos, repetidamente desaconselham estes pais para não segurar, acalmar, confortar ou falar com uma criança que morde, bate, grita, joga ou quebra coisas, ignora ou recusa pedidos dos pais ou se comporta de maneiras desagradáveis, infantis. Muitos dos livros educativas mais populares estão cheios de tal absurdo, destituindo os pais da verdadeira missão que eles tem, que é educar e conduzir seus filhos. E cada vez mais os pais seguem este conselho, por pior que seus filhos se tornem.
O senso lógico comum e um caminhão de pesquisas contra argumentam solidamente estes 'aconselhamentos" de nada fazer para orientar e educar o filho. Os peritos estão ignorando o fato bem estabelecido que as crianças fazem o que é notado, que a atenção de adultos geralmente faz com que o comportamento (desejado ou indesejado) se torne mais provável de ocorrer (e não menos!) quando não é orientado. E, assim, o mau comportamento piora. Por qualquer coisa o filho grita, se atira no chão, bate ou se bate.
Quando o mau comportamento piora, os pais estão convencidos de que o mau comportamento é um sintoma de uma doença que "precisa" de reequilíbrio químico. Em seguida é dado à criança um diagnóstico, como Transtorno Bipolar Infantil e um punhado de medicamentos antipsicóticos perigosos.
O aumento do uso de antipsicóticos está diretamente ligada ao aumento da incidência de um determinado diagnóstico, o transtorno bipolar. Especialistas estimam que o número de crianças com este diagnóstico está agora mais de um milhão e está crescendo, tornando-se mais comum que autismo e diabetes combinados. Como tratamento, os médicos estão a administrar medicamentos que ainda têm de ser aprovados para as crianças. Os pais concordam em medicar suas crianças de dois anos com Risperdal para acalmar seus acessos de raiva, Trileptal para estabilizar os seus humores, e clonidina para ajudá-los a dormir.

Em 04 de setembro de 2007, The New York Times afirmou que os estudos nos anos 1970 e 80, concluíram que Transtorno Bipolar era raro em crianças, mas entre 1994 a 2003, houve um surpreendente aumento de 40 vezes no número de crianças diagnosticadas com transtorno bipolar . 

Em 19 de novembro de 2008, The New York Times informou que 31 crianças que foram diagnosticadas com Transtorno Bipolar Infantil, e que receberam como tratamento para suas birras, o medicamento Risperdal (Risperidona) para birras morreram, e 1176 sofreram graves efeitos colaterais.


Em um futuro não muito distante, a maioria das crianças da América estará usando algum tipo de droga, administrada com a finalidade supostamente altruísta de ajudá-los a "funcionar" de forma mais eficaz!
Segmentos industriais têm sido criados para fazer exames cerebrais em crianças com a finalidade de identificar aqueles que poderiam se tornar bipolar antes dos sintomas aparecerem.
Este é um crime contra a infância. Isso mina o papel parental tradicional que as crianças exigem desesperadamente: as crianças precisam de pais, e não pílulas!
Todas as crianças apresentam problemas de disciplina, isto é natural na fase de crscimento. Atualmente, porém, ao invés de ensiná-las e conduzi-las, elas recebem um diagnóstico que resulta em drogar crianças pequenas a um grau sem precedentes na nossa história. Praticamente nada se sabe sobre o impacto a longo prazo destes medicamentos em crianças. E ninguém parece se importar. Certamente não as empresas farmacêuticas empurrando essas drogas, nem os médicos que foram coagidos pela indústria farmacêutica e pais em pânico, consentindo para prescrevê-los.
Birras
Poderia a causa real, que é ser que a criança é, pela primeira vez, tornar-se auto-consciente e, exercendo a sua independência, dizer "Não" e "você não é meu chefe"? Poderiam elas ser simplesmente crianças com uma espinha dorsal que apenas quer crescer? Pelo sistema natural de vida, logo cedo, toda criança pequena, ao ouvir os primeiros "nãos" bem incisivos, ao ter sua independência restrita, descobre que tem na birra uma possível aliada para conseguir o que quer.
Poderiam os pais ver que se trata apenas de um serzinho saudável, se esforçando para ser mais adulto e independente, e, então, os pais orientá-lo e conduzi-lo? Ao invés disso, muitos pais apenas enxergam seu comportamento como o resultado de um problema que precisa de medicação...

O trabalho de um pai não é alimentar comportamentos negativos de um filho, deixando-o fazer o que quer, ou recebendo castigo físico por isso. O trabalho de um pai é mostrar, ensinar o que realmente significa ser independente no tempo certo e as estratégias corretas para chegar até lá. O compromisso do adulto é cuidar da integridade da criança e mostrar e ensinar a ela como lidar com a decepção com calma, e ter autocontrole, não bater, morder, ou jogar coisas com raiva.
Nossas crianças pré-escolares são muito jovens para saber se defender. Cabe aos pais dizer "Não às drogas" e ensinar a seus filhos que a vida é para ser aprendida aos poucos, ir lidando com a experiencia de cada dia e não acreditar que tudo se resume em uma pílula a ser engolida!
Jacob Azerrad, Ph.D. é um psicólogo clínico, na prática privada em Lexington, Massachusetts. Ele é o autor de "De Difícil a Delicioso em apenas 30 dias" (McGraw Hill) e "Qualquer um pode ter uma criança feliz" (Warner Books.)
Fonte: http://www.metrowestdailynews.com/x719609231/Azerrad-Childhood-bipolar-disorder-or-just-childhood


Link deste artigo, neste blog: 
http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2017/02/transtorno-bipolar-ou-apenas-infancia.html

 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:
www.compromissoconsciente.blogspot.com.br 


LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM

Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Psicóloga não aceita decisão de psiquiatra em receitar ritalina, alegando não ter sido ouvida.



17.fevereiro.2017
http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2017/02/psicologa-nao-aceita-decisao-de.html

Psicóloga não aceita decisão de psiquiatra em receitar ritalina, alegando não ter sido ouvida. Ela está certa? - pergunta uma mãe.
Sim, está.
Psicóloga não receita, mas precisa ser ouvida. Desde 01.janeiro deste ano está vigorando uma Resolução do CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente - vinculado ao Ministerio da Saúde, com força de Lei, recomendando que DIAGNÓSTICO só seja emitido DEPOIS de ouvir o que eles denominam de "equipe multiprofissional", ou seja, todos os envolvidos, o que inclui psicóloga, psicopedagogo, fono, etc.
Todas as demais possibilidades precisam ser estudadas, tratadas e descartadas ANTES de diagnosticar e receitar. Sim, quem receita é o neurologista (em alguns casos, o psiquiatra), mas com o aval dos demais profissionais.
RESOLUÇÃO Nº 177, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2015
Querendo, leiam mais aqui: http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2015/12/tdah-diario-oficial-publica-resolucao.html
TDAH - Diário Oficial publica Resolução do CONANDA sobre o direito de crianças e adolescentes a não serem excessivamente medicalizadas
 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

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www.compromissoconsciente.blogspot.com.br


LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM

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Alimentos orgânicos são panaceia para a saúde, investiga estudo europeu


14 000 crianças com idade entre 5-13 anos em cinco países europeus. O estudo mostrou que as crianças em uma dieta biodinâmica em escolas Steiner* exibiram uma menor prevalência de sintomas alérgicos.

(*) - Escolas que adotam o sistema Waldorf
link neste blog: http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2017/02/alimentos-organicos-sao-panaceia-para.html


Este interessante estudo publicado pelo respeitado The Lancet é o resultado de mais uma pesquisa no campo da fundamental qualidade dos alimentos que ingerimos. "Seu alimento, seu remédio", já dizia o Pai da Medicina. Continuemos as pesquisas. Continuemos a depurar nossos organismos o mais possível de ingredientes tóxicos, presentes nos alimentos, no solo, na água, no ar.
Transcrevo, em tradução livre, para conhecimento.

Publicado: 18 de Fevereiro de 2017
A escassez de vegetais neste mês e os aumentos de preços no Reino Unido foram atribuídos ao mau tempo em Espanha, esboçando a importância da política agrícola sustentável para a saúde com a disponibilidade variável de fontes alimentares. Os alimentos orgânicos são abraçados por muitos como parte de um estilo de vida saudável. Atualmente, a União Européia é responsável por 24% da terra orgânica do mundo, com o mercado global orgânico esperado para aumentar de 2,5 vezes para US $ 200 bilhões até 2020. Se uma dieta orgânica é mais saudável do que uma dieta não-orgânica foi o assunto de um relatório recente encomendado pelo Parlamento Europeu a revisão epidemiológica, in vitro , e estudos com animais.
O relatório confirma revisões sistemáticas anteriores que descrevem uma escassez de estudos que investigam os efeitos benéficos benéficos para a saúde de uma dieta orgânica. O maior dos estudos de epidemiologia olhando para alergias e doença atópica, o estudo PARSIFAL , estudaram 14 000 crianças com idade entre 5-13 anos em cinco países europeus. Ele mostrou que as crianças em uma dieta biodinâmica em escolas Steiner exibiram uma menor prevalência de sintomas alérgicos. 
No entanto, em todos os grupos etários, não foi possível identificar se outros fatores de estilo de vida saudável relacionados com a preferência por alimentos orgânicos representavam essas associações.
Uma vantagem de uma dieta de plantas orgânicas é a exposição restrita a pesticidas sintéticos com potenciais propriedades neurotóxicas, perturbadoras do sistema endócrino ou carcinogénicas. A exposição a pesticidas durante a gravidez em três estudos de coorte de longo prazo foi associada a efeitos negativos sobre o quociente de inteligência eo desenvolvimento neuro-comportamental. O relatório recomenda que os alimentos orgânicos são benéficos para mulheres grávidas e amamentando. A produção de alimentos orgânicos também restringe o uso de antibióticos em animais de criação e resulta em menores concentrações de cádmio vegetal. O relatório inclui recomendações de políticas que abordam ambas as questões.
São necessários grandes estudos prospectivos a longo prazo, bem como uma análise mais aprofundada da política agrícola e da saúde. Muito ainda repousa sobre o fornecimento de investigação multidisciplinar robusta para orientar as escolhas alimentares futuras para a saúde.

Tradução livre por Marise Jalowitzki

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Mães, pais, vocês tem Direitos!

Erros médicos, intervenções indevidas, tratamentos medicamentosos excessivos, tudo precisa ser revisto!


Por Marise Jalowitzki

Conversei longamente com uma mãezinha que perdeu sua filha há questão de meses, a mãe afirma vários erros médicos. Encaminhando para a Área do Direito que lida com situações assim!
No Brasil são poucos os advogados que enfrentam o sistema. Torcendo por esta mãe que hoje se sente [e está] com a dor mais cruel que pode haver: a de perder um(a) filho(a).

Infelizmente, bem sabemos, há forte pressão de instituições poderosas para omitir pareceres médicos, mostrar laudos, admitir possíveis erros. Mas, somos todos falhos e uma mãe tem direito a saber a verdade e requerer Justiça. É assim que deve funcionar no mundo adulto. Responsabilizar-se.
Como ela diz: "Sinceramente, quero descansar em paz, honrar a memória da minha filha, esclarecer, limpar meu nome que sujaram, sempre fui honesta, equilibrada...infelizmente, assisti minha filha morrendo por falta de assistencia..."

Nos EUA e Reino Unido são várias as instituições que defendem pacientes e-ou familiares de erros médicos.

Temos de abrir mais caminho aqui.

Algumas publicações sobre o tema:
Mães precisam denunciar, processar pelos abusos, procurar a Promotoria Pública.
Querendo, dêem uma olhadinha aqui:
Direitos do Cidadão:


Direitos do Cidadão - Amparo Judicial frente a Erros Médicos, Tratamentos e-ou Efeitos Colaterais de Medicamentos - Você pode e deve Procurar seus Direitos como Cidadão e Consumidor 

Durante todo o tempo das publicações sobre TDAH e suas comorbidades, tenho divulgado alguns sites que atuam com este objetivo:

Ritalina mata - www.ritalindeath.com (EUA - cujos pais perderam seu filho de 14 anos devido ao uso prolongado de Ritalina

Mais sobre o triste caso de Matthew AQUI 












Seu Socorro Legal - http://yourlegalhelp.com/drug-side-effects/risperdal-lawsuit-gynecomastia-side-effects-lawyer - Neste link, especificamente sobre os efeitos danosos pelos uso de Risperdal (Risperidona, no Brasil)

Drugs Injury -Tom Lamb - EUA - http://www.drug-injury.com/druginjurycom/2010/12/drug-adverse-reactions-skin-rash-burn-sjs-ten.html - Esta equipe de juristas defende vítimas de uso das chamadas 'drogas lícitas' em geral

CCHR - Citizen Comission of Human Rights - Comissão de Cidadãos e Direitos Humanos - Mais AQUI: Pais, conheçam os fatos, busquem seus direitos -http://www.cchrint.org/issues/childmentaldisorders/

SSJ Foundation - Stevens-Johnson Syndrome Foundation - criada pela Julie que, quando bebê, sofreu os terríveis efeitos desta síndrome rara. Hoje ela se dedica à Fundação, tentando elucidar o mais possível a todos os pais para que saibam o que fazer, logo aos primeiros sinais. Mais AQUI - http://www.sjsupport.org/julie.shtml

E centenas de outras.

Mais artigos:
TDAH, Bipolar, Agressividade e Depressão - o Coquetel de Psicotrópicos em Crianças - Uso off-label - Quem segura o que vem por aí?

URGE UMA REVISÃO SÉRIA EM RELAÇÃO AOS GANHOS E PERDAS EM NOSSOS "TRATAMENTOS DE SAÚDE"!!!

ESSA UTILIZAÇÃO MEDICAMENTOSA EXCESSIVA PRECISA ACABAR! 

TEM DE HAVER UM APROFUNDAMENTO EM PESQUISAS PARA MEDIR AS CONSEQUÊNCIAS E EVITAR TANTO SOFRIMENTO!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sobre a validade das publicações científicas - Declaração de Berlin





Sobre a validade das publicações científicas - Declaração de Berlin

Offline: A new Berlin Declaration for STM publishing


A nossa indústria está em boa forma? A indústria está a publicar e a questão foi colocada na conferência Academic Publishing in Europe, realizada na semana passada na magnífica Academia de Ciências e Humanidades de Brandemburgo, magnífica e cheia de balas. Duas vistas impressionantemente opostas foram apresentadas. 
(...)
Ralf Schimmer, vice-chefe da Biblioteca Digital Max Planck, viu nada menos do que um fim. Ele explicou a missão do Open Access 2020, uma iniciativa que busca matar a publicação de assinaturas nos próximos 4 anos e substituí-la completamente por um modelo de acesso aberto. Ele diagnosticou publicação científica como tendo os "sintomas de um sistema de deterioração". Ele pretendia expor a "nudez do sistema de subscrição", cujos "dias estão visivelmente superados". Tradicionais editores, com poucas exceções, declararam-se confiantes em suas auto-avaliações sobre a robustez do seu futuro. Os defensores do acesso aberto estavam igualmente convencidos de que iriam prevalecer sobre um modelo de assinatura que eles odeiam tão amargamente. Saí de Berlim pensando em uma praga em suas casas.
(...)
...as suposições que compartilhamos hoje na publicação científica - onde pretendemos atender às necessidades dos leitores, acrescentar valor e promover o bem-estar humano - estão se tornando cada vez menos verdadeiras. Como o encontro de Berlim mostrou muito claramente, quando confrontados com crises globais generalizadas, nossa resposta é introspecção, incerteza, ansiedade, dúvida e desunião.
Conversamos sobre questões para tentar assegurar nossa importância: nossa reputação coletivamente pobre, melhorando a revisão pelos pares, a discriminação de gênero.
Mas não falamos sobre como poderíamos enfrentar epidemias emergentes, mudanças climáticas, conflitos e guerras.
A publicação acadêmica perdeu contato com as preocupações da própria sociedade que deveria servir. Tornou-se tão envolvida em suas próprias preocupações técnicas e lutas internas, que as dificuldades globais que os editores devem abordar foram esquecidas ou ignoradas.
Existem alguns valores que os editores acadêmicos deveriam estar lutando em voz alta e em público. Os fatos ainda importam. As liberdades precisam ser defendidas. Equidade e igualdade são metas sociais importantes. Existe uma coisa como a justiça social. 
O progresso só será alcançado através da cooperação, não do isolamento ou do unilateralismo. Em 2003, foi publicada a Declaração de Berlim sobre Acesso Livre ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades. Foi um marco auto-declarado no movimento de acesso aberto. 2017 exige uma outra Declaração de Berlim, uma dirigida às crises que enfrentamos hoje. A Declaração eu ofereço é apenas uma proposta, mas eu espero que você possa considerar inscrever-se nela.
Diz, por exemplo: "Nós, abaixo assinados, estamos preocupados com o fato de que as potenciais contribuições feitas pela publicação acadêmica com vistas à prosperidade e progresso humanos, bem como para a proteção dos ricos - mas vulneráveis - recursos ecológicos e culturais de nosso planeta, não tenham alcançado seus objetivos. De acordo com o espírito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, lançado em 1º de janeiro de 2016 e com data prevista para conclusão em 31 de dezembro de 2030, desejamos nos empenhar em usar os recursos editoriais disponíveis para acelerar o progresso no cumprimento desses objetivos acordados internacionalmente ". Editores acadêmicos: façamos algo importante. Juntos.
Ler na íntegra: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(17)30183-6/fulltext?elsca1=etoc
DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(17)30183-6
Link deste blog: http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2017/01/sobre-validade-das-publicacoes.html


Em 11.fevereiro.2017
Somente leitores atentos podem assimilar o que significa uma PUBLICAÇÃO (e apenas isso, uma publicação) divulgando o resultado de uma pesquisa. Não há conclusões, apenas hipóteses, interpretadas de um jeito por alguns cientistas e refutadas por tantos outros.

Claro que um título tendencioso, em um país onde a maior parte da população não se interessa em ler, vai levar o leitor desatento a interpretar o que quer.

Aqui temos um desses casos.Trata-se de uma pesquisa de 2010, recentemente republicada pela associação brasileira, entidade patrocinada pelos laboratórios farmacêuticos fabricantes de Ritalina, Concerta e Venvanse:


BBC
01/10/2010 06h32 - Atualizado em 01/10/2010 10h58

Estudo vincula déficit de atenção e hiperatividade a mutação genética

TDAH não é causado por inabilidade dos pais em educar, dizem cientistas.
Pesquisa publicada na revista 'The Lancet' analisou 366 crianças.

BBC
Cientistas britânicos dizem ter encontrado, pela primeira vez, evidências da existência de uma raiz genética para a condição conhecida como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Outros especialistas questionaram veementemente as conclusões da equipe da Cardiff University
A equipe, da Cardiff University, no País de Gales, Grã-Bretanha, afirma em um artigo na revista científica "The Lancet" que a condição, que afeta crianças em todo o mundo, resulta de um problema no cérebro - como o autismo, por exemplo - e não de uma inabilidade dos pais em educar seus filhos.
O estudo envolveu análises de partes do DNA de 366 crianças diagnosticadas com a condição.
Outros especialistas, no entanto, questionaram veementemente as declarações da equipe, argumentando que apenas um pequeno grupo das crianças com TDAH estudadas apresentou as alterações no DNA e que, na maioria dos casos, a condição seria resultante de uma combinação entre causas genéticas e fatores externos.
Na Grã-Bretanha, estima-se que 2% das crianças sofram do problema.
Elas tendem a ser agitadas e impulsivas e podem ter tendências destrutivas, além de apresentar problemas sérios na escola e na vida familiar.
Estudo
Os pesquisadores compararam amostras do DNA de crianças com TDAH com o DNA de 1.047 pessoas que não sofriam da condição.
Eles constataram que 15% das crianças com o distúrbio tinham alterações grandes e raras no seu DNA, em comparação com apenas 7% no outro grupo.
Uma das integrantes da equipe da Cardiff University, Anita Thapar, disse: "Descobrimos que, em comparação com o grupo de controle, as crianças com TDAH têm muito maior incidência de pedaços de DNA duplicados ou faltando".
"Isso é muito empolgante porque nos dá o primeiro vínculo genético direto com TDAH".
"Analisamos vários fatores potenciais de risco no ambiente - como a contribuição dos pais ou o que acontece antes do nascimento - mas não há evidências que confirmem que (esses fatores) estariam associados ao TDAH".
"Há muita incompreensão por parte do público em relação ao TDAH", ela disse. "Algumas pessoas dizem que não é um transtorno, ou que o problema resulta da inadequação dos pais".
"A descoberta de um vínculo direto deveria corrigir esse estigma."
A equipe de Thapar enfatizou que não há um único gene por trás da condição e que a pesquisa está em um estágio muito inicial para que haja algum teste para o problema.
Mas o grupo espera que o estudo auxilie na compreensão das bases biológicas do TDAH, o que poderia, um dia, resultar em novos tratamentos.
Repercussão
Andrea Bilbow, diretora executiva de uma entidade britânica de apoio a famílias que enfrentam o problema, a ADDIS, disse estar animada:
"Sempre soubemos que havia um vínculo genético, com base em estudos e evidências empíricas. Esse trabalho vai nos ajudar a lidar com os céticos de maneira mais confiante. Eles estão sempre prontos a culpar os pais ou os professores."
Outros especialistas, no entanto, foram bastante críticos em relação ao estudo.
O diretor de uma entidade britânica ligada à saúde mental, Tim Kendall, disse que o TDAH é causado por vários fatores, e que associá-lo exclusivamente a causas genéticos poderia resultar em tratamentos incorretos.
"Tenho certeza de que esses estudos não vão produzir evidências inquestionáveis de que o TDAH é causado apenas geneticamente."
"Estou dizendo que (a condição resulta de) uma mistura de fatores genéticos e ambientais e que o importante é que não acabemos pensando que isso é um problema biológico sujeito apenas a tratamentos biológicos como (o remédio) Ritalina."
Um psicólogo infantil, Oliver James, citou estudos anteriores que observaram o efeito da ansiedade entre mulheres grávidas e dificuldades de relacionamento entre mães e seus bebês logo após o nascimento.
Ele disse: "Apenas 57 das 366 crianças com TDAH tinham a variação genética que seria a suposta causa da condição. Isso indica que, na vasta maioria dos casos, outros fatores são a causa principal."
Este artigo foi publicado pelo G1, em 2010. Até o momento nada há de conclusivo.
Link: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/10/estudo-vincula-deficit-de-atencao-e-hiperatividade-mutacao-genetica.html